Estava vendo hoje o "A Festa Nunca Acaba", filme que mostra a cena de Manchester através do Tony Wilson (quem puder ver vale a pena) desde os Sex Pistols até o fim da Hacienda (boate moderninha do Tony que serviu de modelo pras raves) lá pro fim dos 80.
No filme o cara é mostrado como alguém que faz a coisa acontecer, apostando em quem ninguém mais botava fé, o que por vezes dava certo - como o Joy Division -, mas por outras, (muito) mais frequentes, ele não conseguia ganhar nem o de pagar o que devia.
Mas mesmo assim ele seguiu, como a maioria dos visionários: não era pela grana, era pela música, pela prazer de fazer arte; inútil, trabalhosa, ingrata, mas bela. E é isso que torna a vida mais do que a véspera eterna da morte, a alegria de sofrer pela glória que (talvez) virá. Não a glória mesquinha da fama egoísta, mas a glória de ter ter feito algo que valeu a pena.
Daí, de ver como mesmo com todo o penar é possível tomar algo de bom de dentro da lama, me ocorreu um pensamento: O dinheiro é como as roupas que a gente usa, por que os melhores dias são aqueles em que se volta sem um tostão pra casa. No entanto, os dias voltamos pra casa casa com dinheiro, depois de passar o dia pensando se é válido o esforço que se tem pra ganhá-lo, não trazem muito prazerosas lembranças.
Mas, como a roupa, todo mundo precisa de grana. É como se fosse um formalidade que se requer pra vida ser levada, ou então um estágio intermediário entre se acordar e começar a se divertir. É claro que exitem os que gostam do que fazem, os que amam seus trabalhos e, acima destes, exitstem os artistas, que são os que Vivem de fato (e morrem aos 27). Em suma, é quando a grana e as roupas se vão que as coisas realmente acontecem.
Entrementes, sigo vivendo pela metade com tudo o que se tem e tentando explorar a minha pobre vida que não consegue acompanhar meus desejos. Por hora only friday night partys.
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