sábado, 27 de março de 2010

Veríssima verdade



Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,
faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir
desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 10 de março de 2010



Estava vendo hoje o "A Festa Nunca Acaba", filme que mostra a cena de Manchester através do Tony Wilson (quem puder ver vale a pena) desde os Sex Pistols até o fim da Hacienda (boate moderninha do Tony que serviu de modelo pras raves) lá pro fim dos 80.
No filme o cara é mostrado como alguém que faz a coisa acontecer, apostando em quem ninguém mais botava fé, o que por vezes dava certo - como o Joy Division -, mas por outras, (muito) mais frequentes, ele não conseguia ganhar nem o de pagar o que devia.

Mas mesmo assim ele seguiu, como a maioria dos visionários: não era pela grana, era pela música, pela prazer de fazer arte; inútil, trabalhosa, ingrata, mas bela. E é isso que torna a vida mais do que a véspera eterna da morte, a alegria de sofrer pela glória que (talvez) virá. Não a glória mesquinha da fama egoísta, mas a glória de ter ter feito algo que valeu a pena.
Daí, de ver como mesmo com todo o penar é possível tomar algo de bom de dentro da lama, me ocorreu um pensamento: O dinheiro é como as roupas que a gente usa, por que os melhores dias são aqueles em que se volta sem um tostão pra casa. No entanto, os dias voltamos pra casa casa com dinheiro, depois de passar o dia pensando se é válido o esforço que se tem pra ganhá-lo, não trazem muito prazerosas lembranças.

Mas, como a roupa, todo mundo precisa de grana. É como se fosse um formalidade que se requer pra vida ser levada, ou então um estágio intermediário entre se acordar e começar a se divertir. É claro que exitem os que gostam do que fazem, os que amam seus trabalhos e, acima destes, exitstem os artistas, que são os que Vivem de fato (e morrem aos 27). Em suma, é quando a grana e as roupas se vão que as coisas realmente acontecem.

Entrementes, sigo vivendo pela metade com tudo o que se tem e tentando explorar a minha pobre vida que não consegue acompanhar meus desejos. Por hora only friday night partys.